Madrugada.
Engraçado que é quase sempre madrugada quando sinto vontade de escrever alguma coisa por aqui. Deve ser porque as pessoas dormem e eu consigo ouvir melhor o que eu mesma digo.
A gente passa tanto tempo ouvindo os outros, falando com os outros e fazendo o que clientes, chefes ou pais nos pedem que falta tempo e treino para ouvir a si mesmo… o que eu quero, penso e sinto.
Quando consigo essa proeza, sempre me vem uma sensação levemente apertada… uma sensação de não estar conseguindo fazer tudo o que queria, de não estar aproveitando tanto quanto eu poderia ou gostaria.
Idéias que fiquei por executar, lugares que deixei de ir, coisas que deixei de dizer e não me dei a oportunidade de ouvir também… daí essa nostalgia, saudade até do que nem aconteceu.
Às vezes uma música do tempo que eu tomava picolé e passeava na rua em plena tarde, ou uma carta (sim! ainda guardo as minhas… era tão bom receber cartas) com aquela letrinha que eu logo identifico de quem era já é o suficiente para provocar o mesmo efeito.
A vida é curta. Esse é o sentimento (ou consciência) que me vem à mente nesses momentos que me perco em mim mesma.
Daí volto a fazer mil planos, quero abraçar o mundo e sofro um tiquinho com essa ansiedade por saber que simplesmente não dá para fazer tudo o que eu quero.
Desacelero… e lembro que se não posso fazer tudo, que faça tudo bem feito e bem vivido.
Converso olhando nos olhos, ouvindo de fato o que o outro me diz.
Observo, e escolho sem pressa. Vejo os detalhes.
Mastigo devagar e sinto o sabor suculento dos alimentos.
Ando descalça e sinto as texturas com a ponta dos dedos.
Fecho os olhos quando venta, inspiro bem fundo e devagar quando alguém está cortando grama.
Ajudo se alguém derruba suas coisas no chão.
Sorrio ao ver uma criança e fico imaginando como será a minha
Abraço… e fico assim até sentir a energia de quem eu gosto me encher de vida.
Vou buscando o equilíbrio, entre obrigações e lazer
E faço atividades que agregam sobretudo na alma.