Trabalho

•Setembro 1, 2009 • 2 Comentários

Ultimamente, além de poesias, tenho sentido muita vontade de escrever pequenos contos. Reais, quase-reais, sonhadores ou inspiradores…tanto faz.
Quando achar que devo vou publicando. Este primeiro que colocarei aqui, é sem dúvida necessário compartilhar. Boa leitura e bom trabalho para todos nós.

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Jorge trabalhava levando as pessoas para passear.
Diferente de taxi, ônibus ou moto taxi, levava as pessoas para passear.
Iam todos sentados em sua charrete, com a égua de chapéu de frevo colorido, assim como os dias por ali.
O potrinho que nasceu na virada do ano, se chamava Reveillon, e seguia sempre ao lado da mãe, caminhando entre as ondas e grãos de areia.
Jorge levava o trabalho a sério, mas não perdia a leveza daquele lugar.
Seguia dizendo aos turistas de bom papo:
– Eu trabalho para viver, não vivo para trabalhar.

Dia do amigo

•Julho 20, 2009 • 2 Comentários

Hoje li no jornal uma matéria falando sobre amizade, ponderando uma série de questões que eu também paro para pensar às vezes. Falava do real valor da amizade, e como hoje em dia (talvez até pelo ritmo acelerado e irracional do nosso dia-a-dia) por vezes nos submetemos à substituir os amigos reais pelos virtuais, quantificando em números os “amigos” que você acabou de conhecer num clique. A matéria dizia até que existem sites de melhores amigos, onde você vai acompanhado de um total estranho para tomar um café e lhe fazer companhia como amigo. Ou pior e mais deprimente: exite até reality show com um bando de gente disputando para ser o novo melhor amigo de uma patricinha-celebridade-plastificada.

Ah, pode ter quem concorde e tudo bem. Que cada um consiga ser feliz à sua maneira, com o que achar mais real e verdadeiro.
Mas eu sou aquariana mesmo neste aspecto, e valorizo muito uma amizade sincera e com o total sentido das 7 letrinhas.

Tenho amigas que cresceram comigo, e nossa relação se fortalece desde a pré-escola.  Amigas que já tem lugar reservado nos principais eventos da minha vida. Amigos que me dei bem de forma instantânea, e nos 15 primeiros minutos de conversa parecia que já nos conhecíamos há anos. Amigo que é o maior amor, amor que virou amigo. Amigo que eu não vejo em anos, mas num simples encontro na rua, pronto, é a mesma coisa: rimos, combinamos um almoço, colocamos o papo em dia e nos reaproximamos de novo. Outros, que pela incompatibilidade de rotina do mundo adulto não me permitem ver com a freqüência que gostaria, mas estamos sempre lá, acompanhando as novidade entre um papo e outro, sempre com a mesma alegria e carinho de sempre.
Amigos novos, que se divertem quando conto histórias que vivi com os amigos mais antigos. Amigos de amigos, que quando a gente mal percebe já cativou um lugar enorme no coração da gente.

Mas é claro que amizades não se constróem sozinhas, é preciso cuidado e carinho como em qualquer outra relação. Não pode ser unilateral, pois só uma pessoa interessada não resiste ao tempo como eu mencionei acima. E claro que na vida a gente encontra pessoas, que são boas e foram queridas ou não por um momento, mas por algum motivo não souberam lidar ou reconhecer o valor de uma real amizade. Nesse caso para mim, nos tornamos colegas.

Uma das lições mais difíceis é entender que isso, infelizmente acontece às vezes. É duro desapegar de pessoas que gostamos e consideramos por tanto tempo, mas por algum motivo não nos consideram mais da mesma forma. Por um tempo, ainda luto para resgatar tudo isso, mas em um determinado momento as coisas perdem o sentido e a gente percebe que por não terem cultivado essa semente de consideração, a relação não é necessariamente amizade. De qualquer forma, com toda educação do mundo, sempre vou respeitar tais pessoas.

Amizade para mim é mais que isso. É fácil e leve, e se surge algum problema, um chega para o outro e fala, resolve. Depois comemoramos com um brinde ou dancinhas ridículas. Amigo compartilha, ri, viaja, fala e faz bobagens com você, dança como se não houvesse amanha, tira fotos toscas, paga mico, te ouve e dá bronca quando precisa, te fortalece nos momentos mais difíceis, e te ajuda a trilhar caminhos. É real, e você simplesmente sente. Amizade une, e não segrega. Adiciona e faz bem, e não te traz pesadelos.

Sou eternamente grata à todos os meus amigos e amigas, por todos os momentos juntos e brindes que ainda virão.

Feliz dia do amigo!

O livro dos abraços

•Julho 18, 2009 • Deixe um comentário

Parece que de uns tempos para cá, o cinza da cidade cobria meus olhos, não me permitindo ver as cores e sabores do dia a dia. Me faltava a sensibilidade para captar belezas cotidianas como as que eu apresento neste blog… e isso era tão frustrante!

Já entrava naquelas fases em que fico cheia de morar nessa cidade frenética e intolerante, quando por acaso numa livraria, um título me fez parar: O livro dos abraços, de Eduardo Galeano.

Abri em uma página aleatória e li um conto que me encantou:

Celebração da fantasia:
Foi na entrada da aldeia de Ollantaytambo, perto de Cuzco. Eu tinha me soltado de um grupo de turistas e estava sozinho, olhando de longe as ruínas de pedra, quando um menino do lugar, esquelético, esfarrapado, chegou perto para me pedir que desse a ele de presente uma caneta. Eu não podia dar a caneta que tinha, porque estava usando-a para fazer sei lá que anotações, mas me ofereci para desenhar um porquinho em sua mão.

Subitamente, correu a notícia. E de repente me vi cercado por um enxame de meninos que exigiam, aos berros, que eu desenhasse em suas mãozinhas rachadas de sujeira e frio, pele de couro queimado: havia os que queriam um condor e uma serpente, outros preferiam periquitos ou corujas, e não faltava quem pedisse um fantasma ou um dragão.

E então, no meio daquele alvoroço, um desamparadozinho que não chegava a mais de um metro do chão mostrou-me um relógio desenhado com tinta negra em seu pulso:

- Quem mandou o relógio foi um tio meu, que mora em Lima – disse.
- E funciona direito? – perguntei
- Atrasa um pouco – reconheceu.

É claro que comprei o livro, e estou adorando lê-lo. Era o combustível que faltava para me trazer de volta o encantamento com os momentos simples. Definitivamente um abraço nesses dias tão difíceis.

para lembrar

•Maio 12, 2009 • 1 Comentário

Mais um vídeo que fala por si só. O vídeo é de 1992, e ainda assim, continua tão atual… infelizmente:

“Um discurso pode durar 60 minutos, mas seu impacto pode durar para sempre.”
Severn Suzuki (a mocinha do vídeo) hoje:
http://www.speakers.ca/cullis-suzuki_severn.aspx

É o vento ou a bandeira que se move?

•Maio 7, 2009 • Deixe um comentário

templo zu lai

Os Mestres Ch’an olham as coisas através do olho da mente.
Nossos pontos de vista diferem por causa de nossas mentes discriminatórias. Quando nossas mentes estão quietas, todas as coisas estão em paz. Quando nossas mentes se movem, surgem várias distinções. Para alcançar o estado no qual a tranqüilidade e a não-tranqüilidade se harmonizem, temos que erradicar de nós mesmos todo os pensamentos discriminatórios. Somente, então, a plenitude e a quietude do nirvana serão realizados.

Saber recuar é uma virtude.

(Venerável Mestre Hsing Ÿun)

Para ditiam*

•Abril 22, 2009 • 1 Comentário

Di e Ba

Sempre que assisto algum filme com um belo discurso me emociono. Acho bonito quando uma pessoa expressa seu ponto de vista sobre o impacto que aquela determinada pessoa teve em sua vida. É uma coisa tão particular… e ao mesmo tempo de uma responsabilidade tão grande. Você está ali, perpetuando uma imagem para quem não o conhecia. Sempre que vejo uma cena dessas imagino como seria um discurso sobre a minha vida. Que impacto ou marca eu deixaria na vida dos outros?

Neste final de semana tive a oportunidade de discursar sobre o meu avô, na cerimônia de um ano da sua partida deste mundo. No início fiquei um pouco apreensiva, justamente por saber da importância que isso tem, mas depois gostei muito da idéia e me senti honrada pela oportunidade. Não foi difícil, apenas lembrei com alegria da vida dele, e dos vários momentos que passamos juntos. Acho que essa fórmula deu certo. Algumas pessoas se emocionaram e disseram enxergar as cenas desse cotidiano… era exatamente essa a intenção; trazer para perto essas lembranças boas.
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Depois de um ano, nos reunimos aqui novamente, com a benção de Deus, para agradecer-he por receber de braços abertos o nosso Ditiam. Aos poucos, nossa dor se transformou em força, saudade boa e lembranças felizes.

Hoje, com a certeza de que ele está em paz e em um lugar melhor olhando por todos nós, lembramos com alegria dos pequenos detalhes e grandes lições.

Sempre me lembro do meu avô como uma figura forte, que lutou muito para construir tudo o que fez.

Junto com a Batiam, criou com muito amor e sabedoria os sete filhos, que transmitem até hoje seus ensinamentos para os netos e bisnetos.

Era a elegância, por estar sempre de camisa e calça até nos dias mais quentes; mas também era a simplicidade dos gestos, que sempre se orgulhou das mãos calejadas por todo esforço e trabalho na terra.

Era o faz-tudo da família, e tanto no sítio quanto nas casas dos filhos, estava sempre consertando alguma coisa, aprimorando alguma coisa.

Sempre admirei e me inspirei em seu gosto pela arte, fotografia, pinturas… perdi as contas de quantas vezes ele foi a uma Bienal, exposição ou museu. Havia uma porção de Monet, Mabe, Van Gogh e Picasso em seu quarto. Ali, sempre perto das fotografias de família e seus inúmeros diários, que sempre escrevia com tanto esmero.

Ditiam era exemplo de caráter, de humildade e educação. Era a espontaneidade em alguns comentários, e o “alimentar-se com moderação”. Ele adorava Sucrilhos e danone; e acho que não houve um neto que não misturasse os refrigerantes num mesmo copo e dissesse: “Quero igual ao do Ditiam!”.

Ele era assim, uma misturinha boa e divertida. E mesmo um pouquinho teimoso, sempre arrancava sorrisos quando entortava a cabeça e questionava “Será?” para o que os outros diziam.

Ditiam sempre foi muito culto, adorava ler jornais e comentar as notícias quando estávamos à mesa conversando. E lembro até hoje quando íamos até o seu quarto, com o volume da televisão alto, e ele nos dava balinhas por estarmos indo bem na escola.

Sempre foi ótimo tê-lo por perto; seja na mesa tomando café, nas viagens e passeios, simplesmente sentando ao lado dele e observando a vista, ou participando de um divertido passeio de carro, com todas as lombadas, bancos de areia, latões de leite e disputa de primos para ver quem ia no carro do Ditiam.

Ele era muito companheiro. Sempre senti muito orgulho de ver, ele e a batiam de mãos dadas quando passeávamos, mesmo depois de tantos anos de casamento. Tenho essa visão fresca na memória, como um dos meus maiores exemplos e aspirações para o futuro.

Com certeza ficou a saudade disso tudo, mas também a alegria em cada um de nós, por carregar um pouquinho dele dentro do peito.

Que não esqueçamos nunca das lições que ele nos ensinou, dos valores e união; pois cada vez que nos reunimos, fortalecemos ainda mais nossos elos, essas boas lembranças e aquecemos o coração.

Acho que o maior presente que podemos dar à ele, é continuar regando com amor e alegria essa semente linda que ele plantou, chamada família.

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* avô em japonês

pra você

•Abril 14, 2009 • 1 Comentário

Essa poesia é pra você
porque eu não sei
o que houve
ou quando aconteceu
a gente se perdeu.

Essa poesia é pra você
achar o caminho de volta
dentro do meu abraço
Lembrar da gente
o que o coração sente

Essa poesia é pra mim
para ritmar os passos
recolher meus pedaços
procurar nossos laços
e ver na dor, amor

naturalmente simples

•Abril 1, 2009 • 1 Comentário
Gafanhoto feito de folha de coqueiro

Gafanhoto feito de folha de coqueiro

Voltando de férias e compartilhando aqui um artesanato lindo que conheci em Pernambuco.
Um grupo de meninos (de uns 7 ou 8 anos no máximo) fazem peixinhos na vara de pescar, rosas, e gafanhotos como este da foto usando SOMENTE folhas de coqueiro.
Achei simplesmente lindo, e de uma leveza encantadora.
Sempre me orgulho das pessoas criativas que existem nesse país, principalmente pessoas como esses, que se reinventam e vêem beleza em coisas simples, onde muitos nem imaginam.

Gente fina

•Abril 1, 2009 • 1 Comentário

Hoje li um email lindo que a Bob me mandou! Me senti honrada quando ela disse que eu sou assim aos olhos dela! :)
Lá vai:

“Gente Fina…

Gente fina é aquela que é tão especial que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa.
Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação.
Todos  a querem por perto.
Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões  quando necessário.
É simpática, mas não bobalhona.
É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados: sabe  transgredir sem agredir.
Gente fina é aquela que é generosa, mas não  banana. Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.
Gente fina diz  mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
Gente  fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada e num castelo no interior da Escócia.
Gente fina não julga  ninguém – tem opinião, apenas.
Um novo começo de era, com gente fina,  elegante e sincera.
O que mais se pode querer?
Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa. Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros.
Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.
Gente fina é que tinha que virar tendência.
Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença. (MARTHA MEDEIROS)”

Quem quiser ler mais textos da autora, vale a pena também: http://www.pensador.info/autor/Martha_Medeiros/

E obrigada Bobusca – a linda mocinha do blog dos cachinhos! :0)

Receitas para um dia feliz – parte 03

•Fevereiro 27, 2009 • 2 Comentários

30 dias de férias após 5 anos de trabalho no liquidificador.
2 e 1/2 dias pós-carnaval para uma semaninha mais curta
um punhado de amigos divertindo o seu último dia de trabalho
uma porção cheia de amor visitando com beijo e abraço

Coloque tudo num bar, misture uma salinha de karaokê e junte dúzias de brindes para temperar.
Deixe descansar com uma viagem e pés na areia, e aqueça o coração.