
Sempre que assisto algum filme com um belo discurso me emociono. Acho bonito quando uma pessoa expressa seu ponto de vista sobre o impacto que aquela determinada pessoa teve em sua vida. É uma coisa tão particular… e ao mesmo tempo de uma responsabilidade tão grande. Você está ali, perpetuando uma imagem para quem não o conhecia. Sempre que vejo uma cena dessas imagino como seria um discurso sobre a minha vida. Que impacto ou marca eu deixaria na vida dos outros?
Neste final de semana tive a oportunidade de discursar sobre o meu avô, na cerimônia de um ano da sua partida deste mundo. No início fiquei um pouco apreensiva, justamente por saber da importância que isso tem, mas depois gostei muito da idéia e me senti honrada pela oportunidade. Não foi difícil, apenas lembrei com alegria da vida dele, e dos vários momentos que passamos juntos. Acho que essa fórmula deu certo. Algumas pessoas se emocionaram e disseram enxergar as cenas desse cotidiano… era exatamente essa a intenção; trazer para perto essas lembranças boas.
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Depois de um ano, nos reunimos aqui novamente, com a benção de Deus, para agradecer-he por receber de braços abertos o nosso Ditiam. Aos poucos, nossa dor se transformou em força, saudade boa e lembranças felizes.
Hoje, com a certeza de que ele está em paz e em um lugar melhor olhando por todos nós, lembramos com alegria dos pequenos detalhes e grandes lições.
Sempre me lembro do meu avô como uma figura forte, que lutou muito para construir tudo o que fez.
Junto com a Batiam, criou com muito amor e sabedoria os sete filhos, que transmitem até hoje seus ensinamentos para os netos e bisnetos.
Era a elegância, por estar sempre de camisa e calça até nos dias mais quentes; mas também era a simplicidade dos gestos, que sempre se orgulhou das mãos calejadas por todo esforço e trabalho na terra.
Era o faz-tudo da família, e tanto no sítio quanto nas casas dos filhos, estava sempre consertando alguma coisa, aprimorando alguma coisa.
Sempre admirei e me inspirei em seu gosto pela arte, fotografia, pinturas… perdi as contas de quantas vezes ele foi a uma Bienal, exposição ou museu. Havia uma porção de Monet, Mabe, Van Gogh e Picasso em seu quarto. Ali, sempre perto das fotografias de família e seus inúmeros diários, que sempre escrevia com tanto esmero.
Ditiam era exemplo de caráter, de humildade e educação. Era a espontaneidade em alguns comentários, e o “alimentar-se com moderação”. Ele adorava Sucrilhos e danone; e acho que não houve um neto que não misturasse os refrigerantes num mesmo copo e dissesse: “Quero igual ao do Ditiam!”.
Ele era assim, uma misturinha boa e divertida. E mesmo um pouquinho teimoso, sempre arrancava sorrisos quando entortava a cabeça e questionava “Será?” para o que os outros diziam.
Ditiam sempre foi muito culto, adorava ler jornais e comentar as notícias quando estávamos à mesa conversando. E lembro até hoje quando íamos até o seu quarto, com o volume da televisão alto, e ele nos dava balinhas por estarmos indo bem na escola.
Sempre foi ótimo tê-lo por perto; seja na mesa tomando café, nas viagens e passeios, simplesmente sentando ao lado dele e observando a vista, ou participando de um divertido passeio de carro, com todas as lombadas, bancos de areia, latões de leite e disputa de primos para ver quem ia no carro do Ditiam.
Ele era muito companheiro. Sempre senti muito orgulho de ver, ele e a batiam de mãos dadas quando passeávamos, mesmo depois de tantos anos de casamento. Tenho essa visão fresca na memória, como um dos meus maiores exemplos e aspirações para o futuro.
Com certeza ficou a saudade disso tudo, mas também a alegria em cada um de nós, por carregar um pouquinho dele dentro do peito.
Que não esqueçamos nunca das lições que ele nos ensinou, dos valores e união; pois cada vez que nos reunimos, fortalecemos ainda mais nossos elos, essas boas lembranças e aquecemos o coração.
Acho que o maior presente que podemos dar à ele, é continuar regando com amor e alegria essa semente linda que ele plantou, chamada família.
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* avô em japonês