cotidiano criativo

in. previous. to

intuição
sonho
pensamento
sensação
tudo junto num caos espiralado
por um momento fraquejo
e as pernas nao suportam o peso do corpo

a alma sofre e o alivio cai, gota a gota lavando cada segundo inesperado
mas o conforto vem, como uma manta segura que aquece e aconchega
enfim a vida segue fora do espiral
onde o invisivel é real

miro avante e sigo adiante.

urgência

de repente uma sensação fervendo aqui dentro
forte, pulsante
numa inquietude que meus dedos ou palavras mal podem acompanhar
rapidos demais para compreender e sentir tudo aqui dentro
vontade de gritar e viver
chorar e acalmar no afago de um abraço quente
uma necessidade que urge
num ímpeto de atitude paralisada
nunca sentida nessa intensidade
essa vontade de viver…tudo ao mesmo tempo
o romance e a paixão
os planos e o presente
o ar e o mar, o beijo que cala as palavras de amor
antes que só me reste a saudade e a lembrança
que haja sempre a esperança…
de dias vivos
sempre vivos.

inspiração na respiração

Por causa dessa mania de observar tudo e também pela minha profissão, estou constantemente buscando inspiração. Coisas que me motivem, que me empurrem em direção à algo novo ou excitante… ou mesmo algo que de tão sutil me toque… lá no fundo da alma e me emocione.
Acho curioso ver o que acaba provocando esse tipo de reação na gente, cada coisa em um momento.
Sempre gostei de escrever poesias e já escrevi várias. Algumas publico online, outras não… mas está nos projetos futuros fazer um zine que seja, compilando todas elas (ou as preferidas).
De vez em quando leio uma ou outra de novo, e agora que estou num outro momento me sinto como uma completa expectadora de meus próprios poemas. Percebo que o que parecia intuitivo, na verdade era muito pensado, e me surpreendo de um jeito bom… com orgulhinho de mim mesma sabe? rs
Mesmo mantendo esse distanciamento, uma poesia sempre me surpreende. Acho que acertei na medida e no tom quando a escrevi… e isso é o mais curioso: foi um total descompasso, disritmia em uma das histórias mais difíceis de digerir que me inspirou a escrevê-la. Curioso? Talvez.

A tristeza inspira… mas será que é mais ou menos do que a alegria?
Às vezes penso se na época em que não havia me encontrado melhor como hoje, eu não produzia mais coisas bacanas…. fotos, poesias, vídeos…. hoje em dia tenho que me forçar a fazer algo do tipo, que antes fluía com uma facilidade imensa. Em compensação, a rotina mudou muito e é natural que o tempo para as coisas tenha de ser ajustado. Além disso, em tantos aspectos minha vida está tão plena e feliz que acho normal não estar tão a flor da pele.
Aí quando penso em escrever novamente, por exemplo, crio personagens ou escrevo mais em paz… mas será que fica tão bom quanto ficaria se estivesse com aquela inquietude aqui dentro? Não tem como dizer.

O que sei é que o amor pleno também inspira. De outra maneira, mas sempre inspirou através dos tempos não é mesmo?
E definitivamente não abro mão do meu amor de hoje, para voltar a escrever como antes. Amadureci, e não sei ainda se isso é bom por completo… mas respiro fundo e me inspiro…. encontro esse meu novo ritmo aos poucos, sem pressa.
Respiro e inspiro bons ares com novos lares para as minhas moradas.

Feliz quase-novo

Que 2011 seja limpo, leve, cheio de frescor e cheirinho de roupa limpa.
Quero me vestir com os panos simples que me servem
Sentir o toque macio na pele
O cheiro que traz recordações

Vou colocar tudo para passar
e com o calor, tirar todo o amassado violento e duro da vida
Dobrar com cuidado, buscando sempre juntar a pontinha dali com a de cá.
E pra completar, enfeitar tudo com uma fita nova e colorida para alegrar

Nostalgia involuntária

Madrugada.
Engraçado que é quase sempre madrugada quando sinto vontade de escrever alguma coisa por aqui. Deve ser porque as pessoas dormem e eu consigo ouvir melhor o que eu mesma digo.
A gente passa tanto tempo ouvindo os outros, falando com os outros e fazendo o que clientes, chefes ou pais nos pedem que falta tempo e treino para ouvir a si mesmo… o que eu quero, penso e sinto.

Quando consigo essa proeza, sempre me vem uma sensação levemente apertada… uma sensação de não estar conseguindo fazer tudo o que queria, de não estar aproveitando tanto quanto eu poderia ou gostaria.
Idéias que fiquei por executar, lugares que deixei de ir, coisas que deixei de dizer e não me dei a oportunidade de ouvir também… daí essa nostalgia, saudade até do que nem aconteceu.

Às vezes uma música do tempo que eu tomava picolé e passeava na rua em plena tarde, ou uma carta (sim! ainda guardo as minhas… era tão bom receber cartas) com aquela letrinha que eu logo identifico de quem era já é o suficiente para provocar o mesmo efeito.
A vida é curta
. Esse é o sentimento (ou consciência) que me vem à mente nesses momentos que me perco em mim mesma.
Daí volto a fazer mil planos, quero abraçar o mundo e sofro um tiquinho com essa ansiedade por saber que simplesmente não dá para fazer tudo o que eu quero.

Desacelero… e lembro que se não posso fazer tudo, que faça tudo bem feito e bem vivido.
Converso olhando nos olhos, ouvindo de fato o que o outro me diz.
Observo, e escolho sem pressa. Vejo os detalhes.
Mastigo devagar e sinto o sabor suculento dos alimentos.
Ando descalça e sinto as texturas com a ponta dos dedos.
Fecho os olhos quando venta, inspiro bem fundo e devagar quando alguém está cortando grama.
Ajudo se alguém derruba suas coisas no chão.
Sorrio ao ver uma criança e fico imaginando como será a minha
Abraço… e fico assim até sentir a energia de quem eu gosto me encher de vida.

Vou buscando o equilíbrio, entre obrigações e lazer
E faço atividades que agregam sobretudo na alma.